terça-feira, 25 de novembro de 2008

O segredo (não) revelado


" -Quem és tu para me dares ordens, Sérgio Augusto? És apenas meu amigo, e se queres que eu não minta, o silêncio virá como a melhor resposta, pois respeito tenho com a verdade.


-Ora Ora Madelena, descubro uma outra face de ti, uma face duvidosa, cheia de mistérios. Uma face onde seu desejo por manter um segredo é maior do que uma amizade verdadeira.

-Não pense assim Sérgio Augusto, lhe suplico bom senso. Sabeis muito bem que minha amizade se dirige não somente a você, mas a muitos outros importantes em minha vida. Logo,a confiança que da amizade nasce não pode ser quebrada em função de outra, pois não seria justo.

-Ainda assim, vil Madalena, mostras um descaso enorme com a confiança de nossa amizade. O fato de teres outras amizades é realmente compreensível, mas colocá-las a frente da nossa sem ao menos titubear, isso sim demonstra uma enorme traição.

-Veja bem o que dizes, Sérgio Augusto, insano é teu modo de enxergar a situação. Ponha-te em meu lugar e verás que a razão caminha a meu lado. Como pensas que organizo minhas amizades em uma fila de preferências? Não, não me ofenda de tal forma, peço-te. Não coloco amizade alguma frente à nossa, nem a nossa frente à alguma, sois todos iguais perante às leis do meu coração. Amo a todos igualmente, e respeito a confiança que me dedicam.

-Não devias sentir-se ofendida por ouvir tais palavras. Não me surpreendo, muito menos me sinto ofendido quando organizo filas em meu coração. Há pessoas que merecem os lugares da frente, e pessoas que não. E saibas que estás muito à frente do que muitos nos quais dedico meu sincero carinho. Ponha-te em meu lugar, só assim verás qual é o calibre dessa arma chamada decepção.

-Céus, Sérgio Augusto! Discurssão essa que a nenhum lugar parece nos conduzir... Não sabeis o quanto agradeço-te o espaço dedicado a mim em teu coração, mas parece que não entendes realmente a banalidade da situação da qual fazemos tamanho alarde! Desejo o nosso entendimento defintivo, e confesso que estou tentada a ceder de minha posição. Mas entenda que revelarei depois, em outra ocasião em que ao invés de pena e pergaminho, poderei olhar-te nos olhos e dizer explicando tudo. Peço-te ainda que não julgue as pessoas, temos todos motivos pelos quais o rubor nos sobe ao rosto, contangidos com atitudes e pensamentos. Todos nós. Não julgue precipitadamente, pois sei que possui este mal hábito.

Sim, Madalena, compreendo que esta ocasião não faz juz à bentida revelação. Tendo em vista que nem um dizer importante pode abalar os muros de nossas amizades, muito menos diminuí-los, é melhor nos apressarmos a encerrar esta enorme confusão. Também só tenho a agradecer pelo espaço que tenho em seu coração. E serei o mais compreensível possível quando o dia do esclarecimento chegar, pois sei que temos os nossos momentos de fraqueza onde o sangue que corre em nossas veias põe-se a esquentar e assim não perdemos os controles de nossos atos e dizeres....
Colocarei-me o mais sereno e sábio para esta situação. Podendo assim afastar, embora as vezes seja realmente corroente, esse meu mal hábito."



Mariana Moura como Madalena
Heitor Bufarah como Sérgio Augusto


Isso é um diálogo de mensagens instantâneas em pleno século vinte e um, de dois adolescentes desocupados à meia noite de uma quarta-feira a respeito de uma situação real.
acesse: umcrimeperfeito.blogspot.com

1 comentários:

Mariana Moura disse...

AHUSIHAUSIAHSIAHSAUSI
Sérgio Augusto!