Então ele a encarou pela última vez, esperando que em sua mente se passasse o que ele desejava, esperando que seu corpo correspondesse ao seu toque. Ele levantou, a convidou para uma dança, e eles dançaram, no meio do salão, sendo observados e julgados por todos à volta. Mas não importava. Ela estava incrivelmente deslumbrante, vestida de sangue, de paixão. E ele, em sua estranha serenidade, em sua cortesia e delicadeza inimagináveis. E eles se olharam, mostraram-se cúmplices, e ele sentiu que aquilo nunca acabaria. Ele foi rapidamente encantado, seduzido, percebeu a mágica que rodeava aquilo tudo, os olhos dela penetravam os dele, o deixando totalmente desprevenido. E então, ela pediu licença, se distanciou, pegou sua bolsa e foi embora, sem olhá-lo, sem tocá-lo. E os questionamentos começaram, mostrando-se intermináveis. Por quê? Como? Para onde? Nada disso importava mais. Ele, e somente ele, entendeu o significado do gesto. O tão esperado apresentou-se como já acontecido, um amor às escuras, longe, mas coerente. Ele se deixou encher dessa sensação de prazer o maior tempo possível. Pois afinal, aquilo que havia de acontecer, já tinha acontecido. E acredite, foi eterno.
p.s: Ela se foi, e ele, também.
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