-Pronta?
Ela fez que sim com a cabeça e enfiou as mãos no casaco. Estava frio e ela viu a respiração sair num vento gélido.
Ele esperou até que ela fizesse sim com a cabeça e enfiasse as mãos no casaco.
Ele sorriu pra mim e fomos juntos em direção àquela coisa, que parecia uma cesta gigante.
Ela estava linda, como sempre. E o seu sorriso iluminou o caminho até o balão que nos esperava.
Eu a ajudei a entrar subir no balão, ela reclamou pois ja havia me dito que tinha medo de altura, mas na verdade ela tambem parecia nao se preocupar com nada senão nós dois, juntos.
Estava frio, mas víamos o sol ao longe. Mesmo aflita, ele me passava uma sensação de conforto e calma.
E de repente, depois de colocar vinho em nossas taças, o balão começou a subir e cortar aquele quase amanhecer.
Nós dois sorrimos, e eu me aconcheguei nos braços dele, tão quentes, tão meus.
Aquela pele fina e macia agora estava nos meu braços, eu sabia que ela estava sorrindo e eu também estava. Nada fazia mais sentido no mundo do que aquilo.
Eu fechei os olhos e percebi quer era aquilo. Podíamos passar a vida inteira assim, e eu não me importaria.
Nenhuma desconfiança existia ali, nenhum medo de perder o outro. Não havia como se perder, eu era dela, como aqueles olhos cor de folha, e ela era minha, como os meus músculos que a aconchegavam.
Eu me levantei.
- Vem ver, vem cá!
- O que foi?
- Não vou falar. Vem, sério!
- Tudo bem.
Ele se levantou, preguiçoso como sempre, mas percebi que quando olhou o que eu olhava, ele percebeu a mágica naquela vista.
- É lindo, né?
- Não.
- Não?
- É muito egoísta e injusto com você chamar algo no mundo de bonito, quando você existe. Não existe comparação, é como um pecado. A única coisa que abrange a beleza é você, só você, ninguém e nada mais.
Ela ficou quieta, sorrindo. E eu sorri de volta. Ela sabia que era verdade.
Eu o abracei. Forte, bem forte.
-Você é meu tudo. Por favor, eu não quero nada além de você, não me deixa.
- Nunca.
Eu coloquei seu rosto entre as minhas mãos, nós nos encaramos por um tempo, com o amor evaporando das nossas veias. E eu vi que era a hora
Ajoelhei e tirei do bolso uma caixinha, do modo antigo, do jeito que ela gosta, claro.
Lágrimas. Uma, duas, três...
- Você é tudo o que eu sempre quis, é tudo o que eu sempre sonhei, é o meu porto seguro, o meu sol e a minha lua. E eu te quero pra sempre. Minha. Casa comigo?
Eu fiquei muda. Não sabia se ria ou se chorava. Então eu me abaixei na altura dele.
Ele estava tenso. Mas continuava lindo. Eu o olhei bem nos olhos.
- Sim. Por toda a minha vida.
E eu era o homem mais feliz do mundo.
Heitor Bufarah e Mariana Filizola
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Por toda minha vida.
Postado por h.b às 19:07
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário