sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Por toda minha vida.

-Pronta?
Ela fez que sim com a cabeça e enfiou as mãos no casaco. Estava frio e ela viu a respiração sair num vento gélido.
Ele esperou até que ela fizesse sim com a cabeça e enfiasse as mãos no casaco.
Ele sorriu pra mim e fomos juntos em direção àquela coisa, que parecia uma cesta gigante.
Ela estava linda, como sempre. E o seu sorriso iluminou o caminho até o balão que nos esperava.
Eu a ajudei a entrar subir no balão, ela reclamou pois ja havia me dito que tinha medo de altura, mas na verdade ela tambem parecia nao se preocupar com nada senão nós dois, juntos.
Estava frio, mas víamos o sol ao longe. Mesmo aflita, ele me passava uma sensação de conforto e calma.
E de repente, depois de colocar vinho em nossas taças, o balão começou a subir e cortar aquele quase amanhecer.
Nós dois sorrimos, e eu me aconcheguei nos braços dele, tão quentes, tão meus.
Aquela pele fina e macia agora estava nos meu braços, eu sabia que ela estava sorrindo e eu também estava. Nada fazia mais sentido no mundo do que aquilo.
Eu fechei os olhos e percebi quer era aquilo. Podíamos passar a vida inteira assim, e eu não me importaria.
Nenhuma desconfiança existia ali, nenhum medo de perder o outro. Não havia como se perder, eu era dela, como aqueles olhos cor de folha, e ela era minha, como os meus músculos que a aconchegavam.
Eu me levantei.
- Vem ver, vem cá!
- O que foi?
- Não vou falar. Vem, sério!
- Tudo bem.
Ele se levantou, preguiçoso como sempre, mas percebi que quando olhou o que eu olhava, ele percebeu a mágica naquela vista.
- É lindo, né?
- Não.
- Não?
- É muito egoísta e injusto com você chamar algo no mundo de bonito, quando você existe. Não existe comparação, é como um pecado. A única coisa que abrange a beleza é você, só você, ninguém e nada mais.
Ela ficou quieta, sorrindo. E eu sorri de volta. Ela sabia que era verdade.
Eu o abracei. Forte, bem forte.
-Você é meu tudo. Por favor, eu não quero nada além de você, não me deixa.
- Nunca.
Eu coloquei seu rosto entre as minhas mãos, nós nos encaramos por um tempo, com o amor evaporando das nossas veias. E eu vi que era a hora
Ajoelhei e tirei do bolso uma caixinha, do modo antigo, do jeito que ela gosta, claro.
Lágrimas. Uma, duas, três...
- Você é tudo o que eu sempre quis, é tudo o que eu sempre sonhei, é o meu porto seguro, o meu sol e a minha lua. E eu te quero pra sempre. Minha. Casa comigo?
Eu fiquei muda. Não sabia se ria ou se chorava. Então eu me abaixei na altura dele.
Ele estava tenso. Mas continuava lindo. Eu o olhei bem nos olhos.
- Sim. Por toda a minha vida.
E eu era o homem mais feliz do mundo.

Heitor Bufarah e Mariana Filizola

Nós somos o que somos, eu sou o que sou, você é o que é. Eu não devo te rotular e você não deve me rotular. Mas o maior dos nossos desafios é conseguir não rotular a nós mesmos. E isso é algo que me espanta em você, o quanto você tem facilidade em si rotular. Chega a ser infantil a idéia de que alguém acredite que consegue viver sem os sentimentos, é uma mentira que não convence nem a si próprio.
Você me cativou, e eu fico muito feliz com isso. Me ensinou –mesmo sem perceber- a não ter medo de mim. Me ensinou que coragem tem a ver com escolhas, e que escolher é fácil. Me ensinou que há um equilíbrio entre o sorriso e a lágrima e que estar sempre bem não necessariamente me deixa tedioso.
Você, com suas opiniões formadas, suas decisões tomadas e sua inteligência admirável. Você tem os seus defeitos, você erra, machuca alguns mas no final tudo acaba bem. É um enigma, um quebra cabeça onde ainda faltam muitas peças. Você vai deixar saudades, e vai se deixar aqui, um pedaço em cada um que foi cativado pela incrível pessoa que você é.
E você brilha, onde for, por onde passe. Sei que vai brilhar lá também, e espero que continue assim. Espero também que a convivência com novas –e diferentes- pessoas não te diminua, e que você ensine a muitos o que me ensinou. Tenho a plena noção de que provavelmente nunca mais irei te ver. Isso me dá uma sensação estranha, mas sei que você vai seguir caminhos muito mais desafiadores que esse, e fico tranqüilo, pois tenho certeza de que terás outros amigos pra te acompanhar.
Eu quero que você tome para si o que acabou por me ensinar, e assim nunca se esconda, tente se jogar mais para vida, sorrir mais quando tiver vontade.
E volte, assim que a saudade chamar.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

E você me fumaria


Eu seria teu cigarro

E você me fumaria.

E então eu viraria fumaça

Leve, solta,

Formando os desenhos dos meus sonhos não realizados

E você os veria, e depois de segundos tudo estaria acabado.

Eu seria rápido, e você jogaria as minhas cinzas.

Sem olhá-las, eu prefiro.

Assim só teria acesso aos meus sonhos,

E não aos meus anseios.

A minha vida estaria completa

E você teria perdido somente o tempo de um cigarro.

Eu teria estado dentro de você,

Veja que maravilha.

Nos instantes de uma inspiração

E você me expiraria, contra a minha vontade

É a sua que vale, pena

É a sua que vale a pena.

Flor branca

Eu quero a minha flor branca,

Brotando em minha cama todos os dias

E sorrindo.

Quero que ela me tenha sabendo disso

E que cante idiomas por mim nunca escutados.

Quero que ela me olhe

E que me deixe regá-la.

Prometo dar a minha vida para a minha flor

E fazê-la rir para alegrar a alma

Minha, e dela.

Ela que não é rosa,

Nem girassol.

Ela que não é rosa,

E nem vermelha.

Ela que é branca,

Mas não como os lírios.

Ela que é moça, mas não delicada.

Ela que é minha,

Mas não acorrentada.

Ela que é linda

E minha morada.

sábado, 7 de novembro de 2009

Atras do amanhecer

Um amanhecer separa o real das fantasias que tanto sonho

E olhar-te assim, frio em uma tela,

Trás o desejo e a inquietude que minha alma tanto agoniza

E não ver-te de jeito algum

Trás o desespero que me afoga em jejum.


Ah, se eu pudesse ainda ter teus olhos

Como minha morada

Ah, se tua pele ainda fosse vívida

Em minhas mãos

E teu sorriso me iluminasse

Como o claro a escuridão.


Resta, a mim, olhar-te como e quando posso

E me contentar com porções digitadas de tua personalidade

Resta ouvir falar de teus feitos

Que sei que são, e serão grandes

Por mais simples ou breves que se apresentem.


Resta sorrir quando a felicidade for cantada

E chorar por tê-la abandonado

Em teus braços

Em teu colo

Teus abraços

Meu chão.