quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O coração, a sala.

E então tudo estava escuro. Escuro e misteriosamente silencioso. Ela não era daquelas bobas e fracas que morria de medo de baratas e borboletas, mas é que sem ele, sem ele aquilo tudo parecia (e de fato era) tão vazio. E ela desejou voltar no tempo para sentir àquilo que sentiu quando o viu pela primeira vez, quando de fato se apaixonou, quando conseguiu colocar naquela sala vazia e escura, um pouco de luz, e ele. Ele era o verdadeiro dono, o único que importava naquele então melancólico aposento.
Mas agora eram só lembranças, lembranças de um passado perfeito, digno de contos de fadas, mas igualmente dignos de histórias sem o esperado final feliz. Ela se sentia uma marionete do mundo, do destino. Esperava que ele batesse em sua porta e dissesse que foi tudo uma brincadeira. Esperava que ele a abraçasse daquele jeito tão estranho, tão aconchegante. Esperava que ela acordasse desse pesadelo. Que alguém a beliscasse. Ela precisava que isso acontecesse. Porque sem ele, sem ele não havia mais sentido.
E o que ele estava sentindo agora? O que ele pensava de tudo isso? De fato ela não conseguia colocá-lo como um vilão, como um biltre. Mas no entanto, era o que ela queria que acontecesse, e ele também. Queriam que ela ficasse com muita raiva, tanta que pudesse cobrir o amor que sentia, tanta que pudesse fazê-la esquecê-lo de vez, repugná-lo. Mas ela não conseguiu, e se sentia pior ainda com isso.
E ela olhou para os lados, continuava na tal sala vazia, e se deu conta da verdade. Ele não voltaria mais, e essa sala, mesmo que com o tempo voltasse a ter velas, nunca mais acenderia seu lustre central.

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