quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Acho que no fundo eu mesmo não consigo expressar a falta que eu sinto de ti, nem pra mim. Parece que é tão pouco falando, e é tão grande sentindo. Mas mesmo assim eu vejo um novo túnel, e espero que ele se feche logo, pois detesto esse sentimento, principalmente quando invertido. Mas nem se compara com a saudade que eu to, com a vontade que eu tenho, com o carinho que eu preciso. Eu quero voltar pra casa, voltar pra você.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Conforto

Sei que o mundo vai me machucar, que eu vou sofrer, que eu vou chorar. Que vai ter momentos onde vou achar que nada vai dar certo, e as portas vão se fechar. Mas eu espero que quando esses momentos chegarem, eu não precise contar com ombros distantes, e possa achar um conforto, uma saída em pessoas que estão ao alcance das minhas lágrimas.
Pois sei que o mundo vai me machucar, mas também sei que ainda vou rir muito, ser muito feliz, amar de verdade.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O final do túnel.



Eu tenho 72 anos, e como vocês devem imaginar, passei por muita coisa nessa vida. Sempre quando pensava em minha velhice me vinha na cabeça coisas muito melhores do que o destino acabou me reservando. Pensava que depois de uma vida de trabalho árduo, muitas vezes obsessivo e doentio, poderia sossegar numa casa legal, sendo sempre visitado por meus filhos. Com o dinheiro que guardei eu ia fazer viagens espetaculares, conheceria cada esquina de Paris, viajaria pelo mundo com pouquíssimas preocupações, as vezes até incluía em meus devaneios que meus filhos me acompanhariam, talvez com os filhos deles, um grande tour em família, sabe? Depois, quando voltássemos, faríamos os cômodos e rotineiros churrascos aos domingos, a família toda, festejando as datas comemorativas, ou a união de alguém da família. As crianças na piscina, nos irritando repetidamente com gritos e nos molhando com prazer, de vez em quando se machucando, a família toda correndo pro hospital. No natal, a família toda unida, uma grande ceia, com celebrações e alegrias, tudo no espírito de natal, você deve imaginar como. A mesa farta e nós agradecendo por mais um natal em família. De vez em quando eu faria aquelas excursões para o sul do país, com outros idosos, e quando voltasse, meus filhos e netos estariam me esperando. Uma alegria como nunca teria em toda minha vida, tudo muito bem planejado, resultado de uma vida de esforço que valeria a pena ao ver meus netos crescerem, e meus filhos serem ajudados pela poupança que fiz pra eles.

Faz 13 anos que não vejo meus filhos. Recebo notícias no máximo duas vezes ao ano, na maioria das vezes por cartas. Moro numa casa de repouso, eles a bancam pra mim. Todo o dinheiro que guardei para uma velhice segura está nas mãos dos meus filhos, e pelo que me escrevem eles parecem usufruir muito bem desse dinheiro. Tenho um grave problema nos ossos, que vêm me impossibilitando de andar sem ajuda à alguns anos, fora o problema nos ossos descobri que sou diabético, e tenho um sério problema de pressão alta. Tomo remédio controlado para a pressão, diabete, asma e bronquite(que só vim a adquirir depois de idoso) e para minha pele, pois devido a minha grande exposição ao sol quando era novo, eu fiquei com várias manchas na pele e uma grande probabilidade de ter câncer de pele. Fico 4 dias da semana deitado numa cama precisando de ajuda para respirar. Uma enfermeira da casa traz minha comida e muitas vezes não estou em condições de me alimentar sem ajuda. De vez em quando ela lê pra mim, poemas, que me fazem lembrar da minha juventude e do quanto eu era feliz. Me faz lembrar de quando eu corria pela lagoa, jovem, alto, forte e bonito. Nada me impedia naquela época, nada e nem ninguém. Vivia o melhor da vida, aproveitando o máximo, não tinha certeza de como seria meu futuro, mas sonhava com coisas maravilhosas. E agora estou deitado nessa cama, com dificuldade pra respirar e sem família, sem amor. Sobrevivendo ao invés de viver, vendo tudo o que eu construí e sonhei sendo rapidamente rasgado e despedaçado. Não conheço 4 de meus 5 netos. Não me lembro da ultima vez que me senti capaz, vivo. Na verdade, eu já morri faz muito tempo, minha alma deve estar vagando em algum lugar por aí, esperando que meu corpo se envenene de vez para poder ir descansar em paz. Aliás, perdi até as esperanças de descansar em paz. Agora, minha vida se resume em morrer, em esperar. Sonhei alto, batalhei por um mundo melhor, me iludi e iludi todos a minha volta achando que poderíamos fazer a diferença. Ninguém faz a diferença, tudo acaba, todos acabam.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O coração, a sala.

E então tudo estava escuro. Escuro e misteriosamente silencioso. Ela não era daquelas bobas e fracas que morria de medo de baratas e borboletas, mas é que sem ele, sem ele aquilo tudo parecia (e de fato era) tão vazio. E ela desejou voltar no tempo para sentir àquilo que sentiu quando o viu pela primeira vez, quando de fato se apaixonou, quando conseguiu colocar naquela sala vazia e escura, um pouco de luz, e ele. Ele era o verdadeiro dono, o único que importava naquele então melancólico aposento.
Mas agora eram só lembranças, lembranças de um passado perfeito, digno de contos de fadas, mas igualmente dignos de histórias sem o esperado final feliz. Ela se sentia uma marionete do mundo, do destino. Esperava que ele batesse em sua porta e dissesse que foi tudo uma brincadeira. Esperava que ele a abraçasse daquele jeito tão estranho, tão aconchegante. Esperava que ela acordasse desse pesadelo. Que alguém a beliscasse. Ela precisava que isso acontecesse. Porque sem ele, sem ele não havia mais sentido.
E o que ele estava sentindo agora? O que ele pensava de tudo isso? De fato ela não conseguia colocá-lo como um vilão, como um biltre. Mas no entanto, era o que ela queria que acontecesse, e ele também. Queriam que ela ficasse com muita raiva, tanta que pudesse cobrir o amor que sentia, tanta que pudesse fazê-la esquecê-lo de vez, repugná-lo. Mas ela não conseguiu, e se sentia pior ainda com isso.
E ela olhou para os lados, continuava na tal sala vazia, e se deu conta da verdade. Ele não voltaria mais, e essa sala, mesmo que com o tempo voltasse a ter velas, nunca mais acenderia seu lustre central.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Gostava de minhas histórias, Branca de neve, Cinderela, Bela Adormecida...

Eu queria ter o mundo sob meu controle, só pra fazer tudo do meu jeito. Pra mexer no meu destino, e no de todo mundo. Eu ia, primeiro, fazer com que aquele cara que transferiu seu pai, mudasse de idéia. Porque ele não sabe o quanto eu, um pobre garotinho de 14 anos que não influencia nem seus pés, vou sentir sua falta. Falta de te falar tudo que eu to sentindo, sabendo que terei os melhores conselhos sempre. Falta dos seus sarcasmos sem graça, e de ver o quanto você se diverte com eles. Falta de poder te ver com uma certa freqüência que raramente acontecerá ano que vem. Falta de cada momento que a gente viveu e continua vivendo, onde tudo é único, porque é com você. Sem você, eu serei diferente, eu não serei eu mesmo, vai sempre faltar algo, sempre. Como se uma peça do meu quebra-cabeça tivesse sido tirada sem a minha permissão(e uma das grandes), me deixando incompleto. Você é tudo que um dia eu precisei numa amizade, aliás, você é mais do que tudo, você é única. E tudo o que a gente viveu, tudo que a gente passou, ta aqui dentro, guardado. Só espero que um dia tenhamos a oportunidade de lembrar tudo isso de novo. Obrigado Mariana, por ter estado na minha vida esses dois anos e feito deles maravilhosos. Eu te desejo tudo de melhor que o mundo pode dar pra alguém, você vai brilhar, seja no que você escolher você vai brilhar. E quando tu tiver pra baixo, com todos contra você e o mundo parecer apenas uma bola idiota, o seu amigo distante vai sempre estar aqui, pra te escutar, pra tentar compartilhar um pouco da sua dor, pois na realidade é pra isso que servem os amigos distantes, e eu farei isso com o maior prazer. Falar as três palavrinhas mágicas só, não vai transmitir tudo o que eu to sentindo agora, do mesmo jeito que esse texto não transmitiu mas, eu espero que você nunca duvide disso, o amor que eu sinto por ti é pra sempre, e eu sei que a distancia vai diminuí-lo, mas NUNCA vai apagá-lo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Três é demais.

Eu tinha combinado comigo mesmo de que só ia escrever ficção no blog agora(apesar de que sempre conseguia ligar algo comigo), mas estou quebrando o combinado, me desculpem.Eu queria que Vinícius de Moraes tivesse escrito sobre o que eu to sentindo agora, mas pelo que tenho procurado ele nunca sentiu isso, ou se sentiu não teve coragem de escrever sobre. Sabe aquele negócio de um é pouco, dois é bom e três é demais? Pois é, pra mim um não é pouco, dois não é nem um pouco bom mas três é realmente demais. Acho que é a primeira vez que desejo que não existissem estados separados, que ficasse todo mundo perto. E todos esses meses me (aspas) preparando (aspas) pra essas despedidas simplesmente foram em vão, antes eu ainda conseguia colocar na minha mente que quando o amor é verdadeiro, não tem distancia que apaga. Não que eu não acredite mais nisso (se não acreditasse já tinha morrido), mas eu sei que diminui, e muito. E eu não quero, não quero que fique tudo diferente. Mas como nem tudo é do jeito que eu quero, eu tenho que me conformar. Conformar com a saudade que vou ter da minha trica me dizendo o que fazer, da minha outra trica e as suas loirisses e o sotaque mineiro, e da minha outra trica que sempre tem o que dizer na hora certa e que vive me impressionando. Eu só tenho a dizer que amo muito vocês três, muito. E que eu to muito mal com tudo isso, bem mais do que posso aparentar. Quero dizer pra vocês que nada e nem ninguém pode apagar o que a gente viveu, e que foi realmente eterno, cada momento, cada sorriso, cada briga, cada conselho. E eu espero que um dia a gente possa se reencontrar, espero mesmo, e lembrar desses momentos que fizeram da nossa amizade, a melhor que pode ser. Eu amo vocês demais da conta, e vou sentir muita falta, muita.

Se lembra quando a gente
chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
sem saber
que o pra sempre
sempre acaba

(Mudaram as estações- Cássia Eller)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Contraste


Ele foi sempre conhecido como o moleque, o que adorava se sujar, e correr até se machucar, e subir em árvores até chegar no topo (que sempre era o que mais balançava) e ver os ninhos de passarinhos, um dia até achara um filhotinho lá. Ah, ele também era meio suicida, adorava pular de lugares mais altos do que podia(e devia), e uma fez estava brincando de fingir que ia cortar a boca com uma tesoura até que sua mãe o chamou e no susto ele realmente cortou a boca(esse episódio lhe rendera uma pequena cicatriz que durava até hoje). Ele tivera a infância perfeita, e quem via de fora achava que era um menino que nunca amadureceria de verdade. Mas não, de fato algo deve ter acontecido para isso, mas o menino virou adulto, e um adulto arrogante e impertinente. Cheio de responsabilidades que gostava de achar que tinha e de uma compulsão incrível por manter tudo em ordem. Os que o conheceram agora, velho e rabugento, tem uma idéia muito destorcida do que pode ter sido a infância dele. Um colega de trabalho já chegou a me confessar que não consegue ver uma criança nele, devido a sua forma de tratar as pessoas, era como se ele tivesse pulado a parte de se divertir. Mas não, ele se divertiu, e muito. Eu acredito que na verdade haja algum conflito inteiro se passando em sua mente, ou que algo de grave aconteceu e eu não percebi. Mas é assim, as pessoas amadurecem. Infelizmente ele não conseguiu conciliar a sua parte infantil com a parte adulta. Espero que muitos não sigam seu exemplo.