sábado, 9 de julho de 2011

Só por hoje.


Ela olhava pra mesa mal iluminada com uma lâmpada amarelada, olhava cinzeiros transbordando, garrafas de uísque e de cerveja vazias, olhava papéis amassados e sentia o cheiro das drogas.

Achava que estaria chapada demais pra sentir algo, quando na verdade ela só ficou mais sensível. Tomou mais um gole e pensou num ‘foda-se’ que tinha rosto, nariz, boca, nome e sobrenome.

Só por hoje, só por hoje ela não queria estar olhando o amanhecer em saltos apertados. Só por hoje ela queria dar uma chance e fingir que se importava. Ou só por hoje ela seria a prova de balas, ela beberia e mataria a dor. Só por hoje ela queria decidir.

Ele definitivamente não valia a pena, se vestia como se tivesse decidido parecer desarrumado, tudo errado nos lugares certos. Ele fumava e olhava pra bunda de todas as garotas que passavam. Ele sabia que ela estava pensando nele, tinha que saber. Sorria um sorriso torto pra coisas que não lembraria no outro dia.

E ainda sim ele era tudo o que ela queria, ainda sim ela o desejava, cada parte, com pressa. Queria-os em cima da privada do banheiro sujo, fazendo ali mesmo. Misturando tudo o que eles passaram e ele cuspindo pólvora nos sentimentos dela.

Só por hoje ela seria dele sem medo, sem receio de parecer ridícula no outro dia. Sem pensar no quanto eles não davam certo, no fato que ele não gostava de tomar café e que implicava com o tamanho do cabelo dela.

Eles não foram feitos um para o outro, ela sabia, ele sabia. Mas a sede era maior. Ele contava o tempo olhando pra um relógio que roubava seus minutos. Esperando a hora certa. Ele realmente não se importava com o que ela sentia, com o que significaria pra ela. Ele queria aquilo. Ele gostava do errado.

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