Inseguranças, eu sempre vivi cercado delas. Quando eu era mais novo eu era inseguro quanto ao meu corpo, meu comportamento, quem eu era e quem eu queria ser. Depois fiquei inseguro quanto aos meus talentos, depois não via como era possível eu pensar tão diferente dos que eu convivia. E eu fui me achando, e quebrando essas inseguranças uma por uma. Mas elas não para(va)m de nascer.
Foi aí que eu achei um jeito de esconder todas elas: não sentindo.
Mas se Deus existisse ele saberia que eu não consegui, que eu mostrei, que eu escondi, que eu interpretei e que eu senti. Senti até a carne arder. Senti até ser capaz de chorar. Senti, durante toda a minha vida, tudo o que eu deixei de mostrar.
Não me arrependo por um segundo de ter aprendido a me controlar, é quem eu sou e é o que muitos sonham conseguir. Mas estão todos errados. A cura pra felicidade eu não sei, mas sei que a insegurança parece me barrar cada vez que eu chego perto.
E aí as coisas começam a dar certo, eu começo a sentir sem doer.Mas ela está aqui pra me lembrar de que tudo é passageiro, de que tudo pode sumir num instante. Ela está aqui pra me lembrar de que eu posso não ser bom o bastante, ou que os outros não são bons o bastante pra mim. A insegurança está aqui pra me lembrar de quão fodida é a vida de todo mundo e que eu sou um tolo por achar que eu posso ser diferente.
Eu sinto ela me olhando, de certa forma até me julgando. ‘Quem você pensa que é pra achar que pode ser tão feliz?’. A verdade é que ela é talvez o meu maior demônio, mas eu nasci pra lutar contra meus demônios. Então por um momento eu fecho os olhos, respiro, conto até alguns algarismos e começo a imaginar.
A partir daí tudo fica mais fácil, a partir do momento em que nós nos permitimos as decisões são mais claras, os olhares mais intensos, as dúvidas mais raras. Temos que nos permitir. Mesmo quando não parece fácil, mesmo quando a maré nos joga longe, mesmo quando nossa própria personalidade pede coerência e cautela. Aí fica bom. Aí fica bom saber que tem alguém que gosta de você exatamente pelo que você é e você percebe aos poucos que isso é recíproco. Sorrisos, cheiros, beijos, respirações, apertos, mordidas e marcas. O paraíso.
Mas aí ela volta, pra lembrar-nos que o paraíso é dos tolos. Que você pode se decepcionar muito rápido, que suas expectativas podem não ser supridas, que você pode virar desinteressante. Todos nós em algum momento das nossas vidas pensamos isso. Isso porque todos nós temos partes obscuras e tristes o bastante que não nos causam nada além de inseguranças.
Temos que nos permitir, é isso. Acho que desvendei o segredo. And it feels so good.
0 comentários:
Postar um comentário