terça-feira, 31 de maio de 2011

Tanto.

Sinto-me entorpecido de sentimentos que me impedem de realmente construir algo por dentro.

Sinto que as informações e obrigações acorrentam a espontaneidade que lembro um dia ter feito parte de mim.

Sinto. Tanto.

Porque as tarefas da vida muitas vezes nos fazem deixar de viver, e a felicidade parte pois parece ter chego perto demais pra realmente existir.

Fica cada dia mais difícil calçar os pés e vestir minha pele quando tudo que eu queria era permanecer nesses sonhos de lugar encantados com finais tão felizes que causam diabetes por causa da doçura. Quero viver com o olhar daquela criança que eu vejo passar pela rua atrás de uma bola, uma pipa, uma história. Sempre soube que amadurecer traria responsabilidades mais pesadas do que meu ombro mas nunca, nunca pensei que a felicidade fugiria tão rápido das minhas mãos, feito areia, e eu apertando-a cada vez mais na vã esperança de prolongar um sentimento inexistente.

Talvez o câncer seja a solução, mas nem coragem de acender cigarros eu tenho mais. Perdi o encanto pelo veneno e parei de transformar problemas em fumaça pois vi que era só ilusão. Volto a escrever querendo desesperadamente trocar angústias por literaturas e continuo me sentindo enferrujado.

Nem as palavras parecem mais ajudar.

A cada musica que eu escuto, a cada frase que eu leio, a cada sorriso que eu acompanho amarelando nos olhos de pessoas que foram tão admiradas. Percebo que não é pra mim, que nasci pra ser complicado e que meu destino é talvez....

Eu não sei.

1 comentários:

Gabriela disse...

o texto flui que é uma beleza! Se isso é estar enferrujado, porrãn...