Pensava nos cigarros que não podia estar fumando, pensava na ilusão da felicidade, pensava em como era seguro se esconder na dor de achar que sabia quem era. Em como os relacionamentos são complicados de entender. A idéia de que duas pessoas estão ligadas por linhas mentais e físicas, que elas se pertencem e por isso tem até direitos uma sob a outra.
Pensava na angústia do ciúme, esse que nunca pensou que sentiria de uma forma tão devastadora e sem motivos. Esse sentimento que mostrava o lado irracional e incoerente de uma alma tão planejada e esclarecida.
Sabia que ninguém pode exigir ser o primeiro em tudo, e nem queria que desse jeito fosse. Porém não conseguia evitar essa tristeza quente, esses pensamentos impróprios, essa imaginação proibida em territórios que machucam.
Tudo tem seus altos e baixos, talvez essa seja a graça da vida. Sempre esperou que a felicidade chegasse um dia completa, mas essa provavelmente era mais uma crença popular que passa mais perto dos contos de fadas do que da realidade.
Pensava na sensação de que algo estava faltando, e de que a vida estava passando diante de seus olhos e não sendo acompanhada com o mesmo vigor que poderia ser. Pensava em besteiras, no futuro dolorido, em coisas que não podia pensar.
A vida é cheia desses testes, dessas pegadinhas que nos fazem cair e levantar. Nunca se conformou em ficar no chão, sempre levantou antes de sentir a dor da queda. E agora não era diferente, a felicidade era sempre maior que a dor. O problema é que os pontos fracos da vida existem, e embora saiba que é parte fundamental na construção da personalidade, na ‘graça’ da vida, isso não os deixa fáceis.
Então o que resta é sentir. Porque a maior verdade sobre a dor é que ela passa, e o amor é bom demais pra ser envenenado assim.
