quarta-feira, 7 de abril de 2010

Gabriel.


Algumas pessoas são mais difíceis de falar do que outras
Não sei bem porque
Mas o Gabriel é uma delas

Talvez seja porque desde de criança eu tenha essa ombro do meu lado
Um ombro que muitas vezes falou coisas que eu não concordei
Um ombro que muitas vezes eu irritei
Mas acima de tudo ombros que se respeitam

Talvez eu precisasse de mais tempo pra escrever sobre ele
Tempo mesmo, pra pensar em tudo o que ele significou ao longo dos anos
E pra fazer algo que chegue a altura dessa jornada
(porque este não vai chegar)

Talvez o maior problema seja que eu não tenho tempo
Porque eu resolvi ignorar o tempo a uns meses atrás
Pra ver se ele passa mais rápido

Porque mesmo com todos os ‘talvez’ existem coisas certas na (nossa) amizade
É que tempo na verdade não existe
E nunca vai existir

É que em todos os desafios do mundo
Nós vamos estar juntos
Eu por ele,
Ele por mim
Porque é isso que dizem que é amizade
Mas poucos sabem o que é
Poucos sabem o que é a total confiança
A felicidade com a felicidade do outro

Poucos sabem o que são as conversas de madrugada
As brincadeiras de mau gosto
As diferenças culturais

Poucos sabem, mas muitos desejam
Uma amizade pra se colar defeitos sim
Mas defeitos tão bonitos...

Priscila.


‘Ela é a sua versão feminina Heitor’
É o que todos me dizem

Priscila tem uma sede de vida inalcançável
Ela sonha com o príncipe encantado, que ainda não chegou
Priscila é a Bela Adormecida, a Cinderela, a Bela
Priscila é princesa, princesa triste

Quem tem coragem de encarar a Priscila com raiva?
Poucos, creio eu
Priscila vira Priscilão
Vira furacão
E entra em erupção

Não importa o que digam
Ela não aceita, e bate o pé
E faz biquinho
Até ser escutada

Priscila tem múltiplas personalidades
Sabe ser mais meiga que a Branca de Neve
E mais malvada que a Madrasta

Ela é daquelas que pode seduzir o primeiro que passar
Só para depois largá-lo cheio de amores
Mas um dia o feitiço reverteu
Priscila um dia chorou

Foi daí que surgiu, num abraço
Parte da minha segurança atual
Ela acha que eu a segurei
Mas não sabe que ela que me segurou

Priscila não me deixa ficar triste
Não aceita a minha infelicidade
Priscila diz que prefere não amar
Mas sabe que mente

Porque um amor como o da Priscila
Não tem direito de ficar guardado
Deus não deixa, acha errado
Então mostra pra quem quer ver.

Rakel.


Pela rua eu a vejo, andando
Sorrindo pros que passam
Chorando pros que a adoram

Rakel escolheu uma vida diferente
Uma vida que ela ainda não sabe se quer
Ela não gosta do tempo
Porque ela não tem horários

Já fiz tantos textos pra ela
Que não preciso mais falar do amor
Não preciso falar de nada
Porque ninguém pode falar da Rakel

Rakel não vive sem olhos
Os dela, os dos outros
Rakel precisa olhar para tudo
E precisa que todos a vejam

Ela é a menina dos meus olhos
Que sempre serão dela
Porque entre uma alma amiga e uma agonizada
Eu fico com a primeira
E ela também.

P.s: Para Rakel dedico um trecho de Fernando Pessoa, talvez a contragosto, pois sei que ela se afeiçoa mais com Drummond:
“Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.” Dedico isso porque sei que ela é mais feliz do que escreve, mais bonita do que vê e mais sonhadora do que pensam.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Lucas.


Nesse mundo tão incerto
Ele finge que tem certeza
Ele sabe o quer
Ele sabe o que quer?

Ele é difícil de lidar
Por trás das bochechas
Tem uma mente perigosa
Mas ele vale à pena

Ele sabe opinar
Ele sabe escutar
Ele sabe amar
E ele sabe chorar

Eu daria o mundo pra ele
Mas ele não quer o mundo
Ele é ambicioso
Ele quer é amor
Mais amor do que tem.

Laila.


Laila, o meu sol
A que me traz uma pureza engraçada
A que ri com um sorriso grande
A que acredita em tudo

Eu poderia matar as pessoas que já a fizeram mal
Mas ela não seria mais feliz
Porque ela ama até os que a maltratam
‘Coitada da Laila’

Coitada nada, ela é um mulherão
Coitados são vocês que pensam que ela fraca
Chorou tanto que agora não pode mais chorar
Ela anda pra frente, cansou de olhar pra trás

Só é preciso estender a mão
Que você ganha o seu coração
Ela sonha com homens de toalha
Ela é essencial na vida de qualquer um

Ela é a Laila, a que pela lógica do nome devia ser a noite
Mas optou pelo dia
E agora anda por aí
Podando as flores dos jardins alheios
E plantando os frutos que irá colher

Ela não sabe, mas desafiou a genética
A Laila pulou a fase da lagarta
Ela nasceu borboleta.

Júlia.


Como colocar em palavras o que ela me ensinou?
‘ Não faz isso, eu já te falei que não vai dar certo’
E eu ia lá, e fazia
E ela me abraçava

Como explicar pro mundo que eu tenho irmãs que não são de sangue?
E que eu as amo tanto quanto a xará dessa?

A menina que chora
A mulher que grita
A menina que pede colo
A mulher que dá exemplo
A menina que é nerd
A mulher que lidera os assovios

A Júlia do nome grande
Do Cavalcanti com i
A Júlia do coração grande
A Júlia que não está aqui

E a saudade que consome
Traz junto uma certeza
‘Ela é feliz lá,
Ela é uma fortaleza
Ela segue os seus sonhos
Ela compreende toda a beleza’

Felipe.


É o mais cobiçado dos homens
Mas mal elas sabem...
Que pro Felipe o mundo é diferente

Nasceu lá longe
Se criou por aí
Talvez nas viagens ele tenha aprendido tudo isso que fala
Mas eu não acredito

Porque se eu acreditasse em magia eu diria que o Felipe
Nasceu de alguma estrela
Talvez da mais importante das estrelas
E está na Terra pra compartilhar o brilho conosco
Mas eu não acredito

Ele é um exemplo em praticamente tudo
Nos passa mais coisas num olhar do que em palavras
Dizem que ele conquista qualquer um
Mas eu não acredito

Porque o Felipe é fraco
E a sua maior fraqueza é amar demais
Ama tanto que parece até que nem ama
Vive inventando história pra não mostrar o amor

Em tudo que ele se joga, acaba dando certo
Alguns dizem que ele se joga em tudo
Mas eu não acredito

Das estrelas ou do ventre
Com os amigos ao seu lado – ou sem eles-
O Felipe vai sempre seguir em frente
Com as suas teorias bizarras
Suas músicas de cemitério
Seu abraço apertado
Com todo o seu mistério

E nisso eu acredito.

Gabriela.


Ela é a mulata, linda e gostosa
Ela é a mulher brasileira
Ela é apaixonada por todo o mundo
Na vida é mais feliz quem a tem

Ela é a irmã que qualquer pessoa pediu pra ter
Ela enxerga a nossa alma
E no meio de tanta sujeira, sempre admira o que é bonito
Ela é das cores

Ela ama os brancos
Grita o contrário
Vai pegar sol
E tudo acaba num abraço

Ela é grande
Ela vai salvar as vidas
Mas mal a preta sabe
Que já salvou

Salvou a minha
Talvez a tua
Me diga quem ela não salvou?

Tudo acaba se completando. E eu? Eu tenho um pedaço do céu nos meus braços