Isso aqui em minhas mãos são correntes, que estão apertando cada vez mais, o metal já está em contato com o meu sangue, é algo nojento e pegajoso, algo doentio e irracional. Cada vez que aperta meu coração bate mais devagar, e cada vez fica mais forte. Meu sangue não circula direito, minhas veias estão pedindo socorro, minha cabeça dói.
E as lagrimas caem como uma cachoeira, e eu grito, muito, cada vez mais alto, cada vez mais desesperado, quanto mais dói mais eu grito, grito até minha voz acabar. Aí eu espero um pouco e grito de novo, mesmo com a voz falhando. A neve cai aqui dentro e eu bato os queixos, minha boca está roxa e meus pelos estão todos arrepiados, tenho a sensação de que esse frio é como facas atravessando meu corpo inteiro. As correntes aderem o frio e ficam como gelo, cada vez mais apertadas, fazendo marcas no meu corpo.
Mas eu aperto mais e mais, não paro de apertar, com toda a força que me resta, e quanto mais dói, quanto mais eu grito, mais eu aperto, mais arde, mais belisca, mais machuca, aí eu aperto mais um pouco. E quanto ao frio, mesmo sabendo que tenho roupas ao meu lado eu continuo nu, para que fique cada vez mais desconfortável.
No chão está o sangue de duas pessoas, misturado, e o cheiro me enoja. Aos meus pés está o corpo das duas, mulheres, lindas, que tentaram me soltar. Primeiro veio a loira, começou a chorar quando me viu, e fez de tudo para me soltar, eu não parava de gritar, e quando ela serrou a corrente e eu vi que não estava preso, eu arrebentei a cara dela com as correntes, depois bati no corpo inteiro, ela gritava e sangrava e eu ria. Me amarrei de novo e apertei mais as correntes. Depois veio a morena, quase a mesma coisa, mas foi mais rápida, já me soltou assim que me viu, eu cheguei perto e lancei um tapa no meio da cara dela, a derrubei, ela chorava e eu a esmurrava, ela chorava e eu a esmurrava. Tapei a boca e o nariz dela, ela desmaiou. Peguei a ponta do cadeado e esfreguei no corpo dela, o sangue jorrava pela minha cara e eu não parei.
Aí eu apertei mais um pouco.
domingo, 2 de agosto de 2009
As correntes.
Postado por h.b às 13:55
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