
Eu gosto de vários meninos. Tem o menino das conversas, sempre passamos por vários assuntos, dos mais banais aos mais fantasiosos. Sou fã do menino escritor, quando leio seus textos, sempre acabo olhando o mundo de outro jeito. Tem o menino poeta, que de tão profundo mais parece homem. Tem o menino bravinho, que com seus argumentos e ideias sempre acima do normal me deixa sem reação. Adoro o menino palhaço, que vive fazendo graçinhas e topa todas as minhas besteiras. Ah, amo o menino cantor, que está sempre disposto a cantar comigo e mais dificil: me ouvir cantar. Tem o menino festeiro também, que está sempre dentro e não perde uma. O menino estudioso não conheço bem, mas se ele for igual a mim, o problema é só a preguiça. Tem o menino "doceiro" também, que tanto me encanta. Não doceiro de fazer brigadeiro, de fazer charminhos. Eu explico: ele dá um sorrisinho com o canto da boca, inclina a cabeça e olha nos olhos, como um anjinho alegre, e pede o que quer. Não tem quem não ceda. E tem o menino pianista, que fica obcecado com a magia de fazer musica com os dedos. É até engraçado! Mas de todos eles, o meu preferido é o menino ator. Sim, o menino ator, porque ele interpreta todos os meninos que eu amo num só papel: o dele mesmo.
Mas veja bem, menino ator, de todos os meus pedidos, imploro-lhe apenas uma coisa. Não use maquiagem, mas use todas as máscaras que te der vontade, todas as que te fizerem mais alegre, sempre. Porque você é um ator, mas ainda assim um menino que merece toda a felicidade do mundo.
De sua flor, sempre.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Menino
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quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Agora pare
Não deixe a noite chegar
Não deixe o som se calar
Corra, peça pra mim o mundo
Que te entregarei num segundo
E junto o meu coração
Corra, lembre da história
Desmonte sua memória
E limpe a visão
Corra, dá tempo pra ver
Dá até pra sentir, no peito
As batidas da solidão
Agora pare, coloque teus olhos no meu rosto
Abra um sorriso torto
E me dê a mão.
Postado por h.b às 22:22 0 comentários
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Não dá para tapar o sol com a peneira.
Desculpa, não vou sair daqui, nossa história acabou, não dá para tapar o sol com a peneira.
Postado por h.b às 17:41 0 comentários
domingo, 2 de agosto de 2009
Como dói, a saudade que passa
E pelo tempo desgasta
As forças em mim
Dói, como um rio secando
A esperança falhando
E a vontade sem fim
Dói, sem o riso criança
Corrompendo a esperança
De um mundo só meu
Saio, cantando e sonhando
Mas nada completa
O que sempre foi teu
Sempre, que vejo um sorriso
No peito me falta
O sorriso teu
Mas logo, no passar do moinho
Verei de longe um ninho
Que guarda um passarinho
E esse, cantando e voando
Trará com um encanto
Teu riso pra mim.
para a Rakel.
Postado por h.b às 15:02 0 comentários
As correntes.
Isso aqui em minhas mãos são correntes, que estão apertando cada vez mais, o metal já está em contato com o meu sangue, é algo nojento e pegajoso, algo doentio e irracional. Cada vez que aperta meu coração bate mais devagar, e cada vez fica mais forte. Meu sangue não circula direito, minhas veias estão pedindo socorro, minha cabeça dói.
E as lagrimas caem como uma cachoeira, e eu grito, muito, cada vez mais alto, cada vez mais desesperado, quanto mais dói mais eu grito, grito até minha voz acabar. Aí eu espero um pouco e grito de novo, mesmo com a voz falhando. A neve cai aqui dentro e eu bato os queixos, minha boca está roxa e meus pelos estão todos arrepiados, tenho a sensação de que esse frio é como facas atravessando meu corpo inteiro. As correntes aderem o frio e ficam como gelo, cada vez mais apertadas, fazendo marcas no meu corpo.
Mas eu aperto mais e mais, não paro de apertar, com toda a força que me resta, e quanto mais dói, quanto mais eu grito, mais eu aperto, mais arde, mais belisca, mais machuca, aí eu aperto mais um pouco. E quanto ao frio, mesmo sabendo que tenho roupas ao meu lado eu continuo nu, para que fique cada vez mais desconfortável.
No chão está o sangue de duas pessoas, misturado, e o cheiro me enoja. Aos meus pés está o corpo das duas, mulheres, lindas, que tentaram me soltar. Primeiro veio a loira, começou a chorar quando me viu, e fez de tudo para me soltar, eu não parava de gritar, e quando ela serrou a corrente e eu vi que não estava preso, eu arrebentei a cara dela com as correntes, depois bati no corpo inteiro, ela gritava e sangrava e eu ria. Me amarrei de novo e apertei mais as correntes. Depois veio a morena, quase a mesma coisa, mas foi mais rápida, já me soltou assim que me viu, eu cheguei perto e lancei um tapa no meio da cara dela, a derrubei, ela chorava e eu a esmurrava, ela chorava e eu a esmurrava. Tapei a boca e o nariz dela, ela desmaiou. Peguei a ponta do cadeado e esfreguei no corpo dela, o sangue jorrava pela minha cara e eu não parei.
Aí eu apertei mais um pouco.
Postado por h.b às 13:55 0 comentários

