Eu estava desesperada por ele. Cada gota do meu sangue gritava ‘JONH, JONH’ e eu não conseguia fazer aquilo parar. Quanto mais ele se afastava mais o meu corpo me arrastava pra frente, uma reação involuntária, como se ele se perguntasse ‘Porque você o está deixando ir?’. E o pior, eu não sabia o porque. Só sabia que os próximos dias pra mim seriam piores do que o inferno, e que eu precisava aproveitar o máximo daquela imagem: Jeans escuros, camisa branca, casaco cinza com botões de metal, um tênis cinza baixo com um ar social. As costas dele continuavam sendo a coisa mais perfeita do mundo, e eu não conseguia parar de olhar. Meus olhos começaram a embaçar e eu fiquei surpresa por ter demorado tanto para começar a chorar. Limpei a lágrima a fim de poder olhar melhor. E eu pensava ‘Porque ele anda tão devagar?’ No fundo esperava que a resposta fosse que ele não queria ir. Mas como acreditar que alguém, e não um alguém qualquer, o alguém da sua vida, queria ficar indo embora. Indo e sabendo que aquilo me destruiria. Porque ele devia saber, tinha que saber. E então a imagem sumiu, no momento que percebi que ele havia ido embora eu fechei meus olhos, e fiquei relembrando a cena como num filme onde a gente aperta pause apenas para contemplar a beleza de uma cena. E eu vi: Jeans escuros, camisa branca, casaco cinza com botões de metal, um tênis cinza baixo com um ar social.
E eu só pensava em como era possível algo assim acontecer logo comigo, em quão injusto o mundo era por me tirar do único momento que achei ser feito pra mim. Sentei, peguei um café, deslizei meus dedos pelas teclas do piano, tentando absorver todo o antídoto da minha dor. Um gole, uma música, um gole, uma música. E assim a noite passou, e todo o meu repertório havia acabado. O piano, já molhado por algumas de minhas lágrimas, continuava me ajudando e resolvi tirar proveito disso. Comecei a tocar aleatoriamente, formando melodias simples, porém harmoniosas. Comecei a juntá-las então, e a cada nova parte que acrescentava eu começava a música de novo, e de novo. O sol chegou, e eu não parava. Acabei uma música, linda, melancólica, pesada. Toquei-a de novo, pra ver se realmente não tinha esquecido. E depois de novo, e de novo. E cada vez que meus dedos mexiam nas teclas eu sarava um pouco da minha dor. Era de manhã quando eu comecei a rir, sem porquês, só por rir. E comecei outra música, uma famosa pra mim pois era a que minha mãe costumava tocar para eu dormir.
Comecei a lembrar de todos os momentos bons que eu e Jonh passamos, então só o que eu conseguia era rir, cada lembrança que me vinha era um sorriso arrancado. A gente combinava tanto, era tão fácil. E de repente estava tocando outra música, muito leve, suave, feliz. A nossa música, e eu gostei tanto que minhas olheiras não me incomodavam, eu poderia ficar ali pro resto da minha vida. Mas então a porta abriu: Jeans escuros, camisa branca, casaco cinza com botões de metal, um tênis cinza baixo com um ar social e um sorriso que iluminava tudo dentro de mim.

1 comentários:
Que lindo Heeeitooor! *------*
Xuxuzinho, linkei seu blog! ;*
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