sábado, 25 de julho de 2009
Anjo.
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terça-feira, 21 de julho de 2009
Um bom cidadão.
Fui ensinado a pensar como um cidadão comum, a ter que fazer tarefas e trabalhos escolares, a praticar esportes e me alimentar bem. Fui ensinado a falar na hora certa, a mastigar bem enquanto como, a não arrotar à mesa. Fui ensinado que preciso sonhar, mas que sonhos serão sempre sonhos se eu não me mexer para torná-los realidade, também fui ensinado que o futuro depende de mim, e que só ganham aqueles que têm perseverança. Fui ensinado também que sorrir é sempre o melhor remédio, que ficar longe de confusões é sempre o melhor, que porrada não leva a nada e que uma vida vale muito, não importa de quem seja. Fui ensinado que devemos respeitar todos não importa a raça, crença ou sexualidade. Que mulheres e homens tem os mesmos direitos e que nossos antepassados eram extremamente cruéis com pessoas indefesas. Enfim, de plantar uma árvore a dizer as pessoas o quanto as amo, fui ensinado a ser um bom cidadão.
Só não me ensinaram que nem todo mundo é igual, que se eu não tiver o direito de me estressar, eu farei isso mesmo sem direito. Que o ódio faz parte da vida, e que sem ele tudo seria muito colorido. Não me ensinaram que lá fora o mal grita, e pertinho da gente. Que além das drogas nos fazerem muito mal, elas podem acabar com todo o nosso sofrimento por alguns segundos. Não me ensinaram que apesar de estar morrendo de preguiça, a gente tem que tirar forças mesmo de onde não tem. Não me ensinaram que um gesto pode acabar com o resto das nossas vidas, e que eu alguns deles não vão poder ser concertados. Não me ensinaram que de vez em quando eu vou ter vontade de matar alguém, de verdade, mas que algo vai me impedir. Não me ensinaram que eu posso arrancar o sonho das pessoas, que posso traumatizá-las e que posso ser egoísta a ponto de destruir o outro com o meu sofrimento. Não me ensinaram que eu POSSO fazer isso, mas que dentro de nós existe uma balança que nos diz o que vale a pena e o que não. Não me ensinaram que não ser igual a todos não significa não ser normal. Enfim, de poder fazer o mal a brincar com sentimentos, se tivessem me ensinado coisas como essas talvez eu fosse um bom cidadão.
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sexta-feira, 17 de julho de 2009
Crônica do Amor
Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.
O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.
Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.
Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.
Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.
Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem noódio vocês combinam. Então?
Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.
Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem amenor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.
Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?
Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.
É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.
Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?
Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.
Não funciona assim.
Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.
Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!
Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor.
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Maria
Que me atrasa e que me afoga nos mistérios de Maria
Maria dos olhos claros, pele fina e ombros largos
Maria sorri fácil, mas não solta os meus sapatos
Todo o dia eu vou dormir esperando que ela suma
Mas nos meus sonhos ela aparece, não uma vez, mais de uma
E quando acordo o que me deparo, é Maria em minha frente
Peço a ela que se afaste, mas parece que não entende
No entanto, meu Senhor, não leves minha Maria
Pois sem ela não seria mais nada, nem choramingar eu faria
Ela tece, ela limpa, ela beija e ela ama
Maria me deixa louco, até mesmo em minha cama
Não há nada nesse mundo que me tire de Maria
Pois sobre quem seriam meus versos, sobre quem reclamaria
Não, não posso, não permito, que o vento a carregue
Maria é minha sina e levar ninguém consegue.
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Carta.
Marina,
Estou escrevendo essa carta porque estou com saudades. Sei que é estupidez, que você nunca responderá e que isso me faz parecer um louco. Mas eu não consigo deixar de pensar no que estaríamos fazendo se você estivesse ao meu lado. Tanta coisa que eu planejei pra gente, e nunca poderemos fazer. Às vezes paro e me pergunto o porquê de ter sido logo comigo, com quem mais te amava. Tantos casais no mundo pra ficarem separados desse jeito, mas porque eu? Tento descobrir a resposta todos os dias e continuo sem sucesso. Não preciso dizer que você levou uma parte de mim com você, sei que não, eu deixei isso claro quando você dormia comigo, quando eu sorria pra você como se nada no mundo me pudesse fazer mais feliz do que estar ao seu lado. E de fato nada podia. Quando você encostava-se a mim todos os meus nervos ficavam completamente loucos e eu tinha a sensação de que perdia o controle de mim, como se você fosse uma droga que agisse no meu cérebro tirando todo o meu livre arbítrio. E como eu gostava como eu gostava de quando você tirava sarro do meu cabelo engraçado, ou de quando falava que eu era como a Lua, e que eu nunca apagaria pra você, porque você dizia que mesmo quando nós um dia nos separássemos você encontraria um refúgio toda vez que olhasse pra lua, porque elas te recordavam meus olhos. Você lembra? Lembra das noites que pedia pra eu deixar o abajur aceso, para que você pudesse acordar a noite e ter a imagem perfeita do meu rosto ao seu lado? Como eu queria ter aqueles momentos de volta, te encher de beijos, tocar a tua pele tão fria, e tão macia. Sabe, eu tenho saudades até de quando você me socava e chorava dizendo que eu era a maior decepção que você já havia visto. Você me enchia de socos no peito e nos braços, e derramava rios de lágrimas por não conseguir me machucar. E eu olhava e dizia ‘Ta tudo bem, você já pode parar, a gente se ama, lembra?’. E nos abraçávamos e era como se nada tivesse acontecido.
Eu só queria que você soubesse que agora que você é uma estrela, a minha vida gira em torno do céu. Muita gente aqui em baixo ta sentindo falta de você, meu bem. Você não tem noção do quanto era especial pra nós. Eu queria pegar nos seus dedinhos finos agora, olhar nos teus olhos, e dizer que você foi a parte mais especial de toda a minha vida, e que eu vou ser sempre seu. Você, amor, foi o único motivo que me fez olhar pra vida como a coisa mais perfeita do mundo. E agora, eu vou ter que continuar, porque eu sei que é isso que você queria que eu fizesse. E eu morro de saudades de você, meu anjo, todos os dias em todas as horas tudo o que eu penso é que você não vai estar em casa me esperando, com o sorriso de sempre. E que eu não vou poder mais te levar pra jantar, ou pra ver uma peça. E que quando eu tiver caindo em um abismo você não vai estar aqui pra me segurar. Mas não importa, nada mais importa, eu vou ter que continuar sem metade de mim, viver o resto da minha vida aleijado.
Um beijo de um homem que será seu para sempre,
Beto.
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domingo, 12 de julho de 2009
Eu estava desesperada por ele
E eu só pensava em como era possível algo assim acontecer logo comigo, em quão injusto o mundo era por me tirar do único momento que achei ser feito pra mim. Sentei, peguei um café, deslizei meus dedos pelas teclas do piano, tentando absorver todo o antídoto da minha dor. Um gole, uma música, um gole, uma música. E assim a noite passou, e todo o meu repertório havia acabado. O piano, já molhado por algumas de minhas lágrimas, continuava me ajudando e resolvi tirar proveito disso. Comecei a tocar aleatoriamente, formando melodias simples, porém harmoniosas. Comecei a juntá-las então, e a cada nova parte que acrescentava eu começava a música de novo, e de novo. O sol chegou, e eu não parava. Acabei uma música, linda, melancólica, pesada. Toquei-a de novo, pra ver se realmente não tinha esquecido. E depois de novo, e de novo. E cada vez que meus dedos mexiam nas teclas eu sarava um pouco da minha dor. Era de manhã quando eu comecei a rir, sem porquês, só por rir. E comecei outra música, uma famosa pra mim pois era a que minha mãe costumava tocar para eu dormir.
Comecei a lembrar de todos os momentos bons que eu e Jonh passamos, então só o que eu conseguia era rir, cada lembrança que me vinha era um sorriso arrancado. A gente combinava tanto, era tão fácil. E de repente estava tocando outra música, muito leve, suave, feliz. A nossa música, e eu gostei tanto que minhas olheiras não me incomodavam, eu poderia ficar ali pro resto da minha vida. Mas então a porta abriu: Jeans escuros, camisa branca, casaco cinza com botões de metal, um tênis cinza baixo com um ar social e um sorriso que iluminava tudo dentro de mim.
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terça-feira, 7 de julho de 2009
Han?
Tenho pensado em como será a minha vida, o futuro, e sei que nada disso faz bem. Será que terei que passar pro papel tudo o que eu não conseguir viver? Minhas tatuagens, minhas peças, minha vontade de fazer de tudo, correr, fugir, vontade de viajar por todos os países e experimentar todas as comidas, beber todos os vinhos, andar por todas as ruas. Vontades que eu tenho medo que fiquem, fiquem na vontade. Nunca foi fácil pra mim falar sobre mim mesmo, escrever sobre mim mesmo. Será que toda a minha extravagância, toda a minha superioridade vai pro lixo? Será que eu vou passar na faculdade? Será que eu vou fazer o que eu gosto? Sinceramente, será que eu vou conseguir ser um ator? Ou minha vida será de altos e baixos, contas pra pagar, filhos, escola, responsabilidade. Será que isso depende mesmo de mim?
Fico imaginando se vou enxergar em Deus o que os outros enxergam, uma maneira de dividir meus problemas, fico imaginando se as horas vão demorar a passar ou se morrerei mais jovem. Fico imaginando tanta coisa que nem sei o que escrever aqui, agora. Sei que estou com sono, sei que eu vou morrer um dia, sei também que amo muito. Mas será que esse amor é coisa de adolescente? Achando que a vida é mais do que ela é na verdade? Será que eu vou crescer a ponto de achar quem eu sou hoje algo errado? Será que isso se chama crescer?
Não sei amanhã, mas hoje acordei sem vontades. Acordei com sede, sede de saber o final da minha história, e isso é no mínimo péssimo, prometi pra mim mesmo que não vou reler o que estou escrevendo agora, e não sei se vou quebrar a promessa. Tenho precisado viver mais, precisado de alguma reviravolta. Me reinventar, mais uma vez. Será que um dia eu paro? Vou ficar escrevendo o que me vier a cabeça agora, porque sei que não vou reler pra saber o quanto esse texto ficou ridículo. Normalmente quando escrevo sobre mim tudo fica muito ridículo, muito forçado. Acho que parte de mim exista na fantasia, acho que não viveria sem umas mentirinhas, sem uns personagens. Acho que não seria feliz se não tivesse segredos, acho que a vida não teria graça sem as minhas idéias mirabolantes, acho que dúvidas passam, que sorrisos secam, e que os olhos foram feitos para olhar, e derramar cachoeiras de vida, acho que as lágrimas aliviam, acho que o grito alivia, acho o estresse necessário, acho a risada confortante, acho que todo mundo precisa fantasiar, imaginar, ler, e ter livros preferidos.
Acho que a vida sem um pouco de ódio não tem sentido, acho que os sentidos são relativos, acho tudo relativo na verdade. Acho fascinante a mente humana, entupida de ganância e de terror. Acho graça das pessoas fracas, e acho que viver sem poder pisar de vez em quando, não é viver. Acho a submissão entediante. Acho o amor possível, acho incrível essa de amar. Mas confesso que amar sem ter algum desafio no meio, perde a graça. E gosto de ler coisas bonitas, de decorar poesias, gosto de lembrar da vida, gosto de especular meu futuro. Ah, era sobre o futuro que eu tava falando né? Quer saber, deixa pra lá.
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