Domesticada aos olhos da vida, de íngreme pensamento e sorriso intrigante, guiava seu olhar à esfera da alvorada do primeiro domingo de maio. Sentada, pensando no quão prazeroso era chegar ali depois de tanto tempo tentando, tentando se livrar da dor de uma vida mal vivida, dos passos não dados, e das grades que a prendiam ao passado condenante. Era ali, sentada em uma nuvem macia, contemplando o vôo dos pássaros que já não a podiam ver, olhando pra cada pena bicolor de perto, que ela encontrou as respostas para todos os porquês de sua existência. Seus cabelos, molhados, faziam cócegas em suas costas, agora nuas. Ela olhou pra frente, e um feixe de luz vermelho-amarelado encontrou seu olhar e a fez lembrar de sua primeira tentativa de sarar a dor, um caminhão, com farol alto e buzina perturbante, ela pensou que ali a dor ia passar, mas não, não foi. E ela pensou no quanto isso não a perturbava mais, no entanto algo a perturbava, ter deixado a sua única filha, originada de um estupro, a única razão que adiou aquele momento. Essa hora ela devia estar dormindo, tomada pela dor de ter perdido a mãe querida, problemática, mas querida. Uma lágrima caiu, mas seu sorriso logo voltou quando ela lembrou que não sentia mais a dor, que havia passado. E ela levantou para procurar uma toalha que a livraria do rastro do ultimo acontecimento de sua vida na terra, o afogamento, de uma pessoa que nunca havia aprendido a nadar.
terça-feira, 14 de abril de 2009
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1 comentários:
aaamei, tomara que você tire dez.
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