quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eu olhava pra porta, chaves na mão, frio na barriga e uma tontura esperada. Queria que você gritasse e me batesse. Que me empurrasse e dissesse: FICA PORRA! Eu seria feliz. Feliz pelo tapa, murro ou beliscão. Feliz por cada momento dentro daquele hotel. Eu sei que foi pouco, meu bem, mas a vida tem essas mesmo.

-

Olhei pra você e o meu mundo desabou, assim, simples. Naquela cama eu não tinha mais chão, colchão, almofadas ou edredons. Era só eu ali, nu, totalmente vulnerável aos seus carinhos, aos seus mínimos mimos e aos seus toques. Sabia que aquilo era tudo que eu evitei durante a vida, mas tinha consciência de que um dia ia chegar. Quando você me olhou de volta daquele jeito amor, eu juro que não esperava.

-

Você estava do lado de dentro e eu do lado de fora, eu sabia que não iria voltar, que tinha acabado ali. Encostei minhas costas na porta e fui escorregando até o chão numa posição quase fetal de uma mulher desesperada. Chorei não por mim, nem pela minha dor. Mas por você meu anjo. Sabia que estava deixando ali uma parte de mim, você reivindicou um pedaço do meu coração que sempre foi seu mas que parecia sem dono. Ali, em dois dias. Ali, em minutos. Eu sabia que aquilo era seu e de mais ninguém.

-

Tem umas coisas que eu prefiro não tentar entender. Tem coisas que são maiores do que nós. Tipo isso, agora. Não acredito que você foi embora mas também não vou me lamentar. Pra mim foi um sonho demorado, aqueles que você não quer acordar nunca mas eventualmente seu corpo te faz acordar e mesmo que você tente voltar ao mesmo sonho depois nunca é a mesma coisa. Eu estou acordando amor, ciente de que a minha vida tem outro significado agora que você passou por ela.

0 comentários: