quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Mistakes

- Ok, yes, it's a mistake. I know is a mistake. But there are certain things in life where you know it's a mistake, but you don't really know it's a mistake because the only way to really know it's a mistake is to make a mistake. And look back and say 'Yes, that was a mistake'. So really, the bigger mistake would be not make a mistake because than you go you're hole life not really knowing if that was a mistake or not. […] Does any of this make sense to you?

- I don't know, you've said mistake a lot. 

(How I Met Your Mother, ep. 21, first season, Lilly and Ted)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ela e ele.

Cansada de brigar ela pegava a perna do namorado, que já estava deitado na cama só de cueca, e beijava seu tornozelo, subindo, subindo. Mordiscava o joelho e subia, pelas coxas, beijando até chegar na virilha onde ela parava. Ele tremia, adorava, mal se lembrava o porque estava estressado. Ela ficava, aquela pele salgada, sabia que ele gostava e subia mais um pouco, chegando no órgão sexual. Ali ela comandava, chupava com uma sede quase vampiresca aquele acúmulo de carne e sangue ereto. Esperava o gozo como uma criança que espera doce, e engolia pra tê-lo dentro dela.

Depois disso, um beijo. Ele não se importava com o gosto, afinal era dele e não de outro. Já não suspeitava mais do colega da faculdade, nem estava puto por ela ter ido de micro-shorts pra aula. Ele se esforçava pra não dar muito na cara o quanto gostava dela. Adorava joguinhos e deixar meias-palavras colocarem fogo no relacionamento. Sonhou tanto com aquele sentimento que se impressionava em realmente senti-lo. E não esperava que fosse por ela, que já passou tantas vezes batido por seu ‘radar’. Na verdade ele tinha medo de se entregar, atrasou o relacionamento por isso. Só percebeu que amava quando lhe gritaram no ouvido. Podia ser tarde, mas não foi.

Ela por outro lado morreu e viveu pra esse amor, largou seus preconceitos, seus tipos e sua obsessão por padrões que só estavam na cabeça dela. Chorava porque o príncipe não chegava, e quando chegou ela não acreditava que era ele. Aceitou calada o sentimento que gritava lá dentro, como um vírus que pedia pra sair e se espalhar. Não existia certo ou errado com ele, por isso um abraço era o suficiente pra saber que eles se amavam, mesmo que ele ainda não tivesse percebido. Ela bem no fundo era feliz, mas a sua personalidade não deixava isso transparecer, alguém tinha a chave que quebraria aquela armadura. Ela sabia que um dia alguém chegaria.

Ele, sorrindo, pediu que ela parasse de lamber sua orelha. Olhou nos olhos dela por um bom tempo e apreciou a visão, calado. Essa sintonia era algo fora do comum pra ele. Inclinou-se, deu um beijo em sua testa, desceu, deu um beijo na ponta do seu nariz, desceu, chegou à boca sem pressa dando breves selinhos naqueles lábios úmidos, um estalinho na ponta da boca, um beijo longo de duas línguas que já se conheciam muito bem. Dois sorrisos que se refletiam e se completavam. Duas pessoas completamente apaixonadas.

Eu olhava pra porta, chaves na mão, frio na barriga e uma tontura esperada. Queria que você gritasse e me batesse. Que me empurrasse e dissesse: FICA PORRA! Eu seria feliz. Feliz pelo tapa, murro ou beliscão. Feliz por cada momento dentro daquele hotel. Eu sei que foi pouco, meu bem, mas a vida tem essas mesmo.

-

Olhei pra você e o meu mundo desabou, assim, simples. Naquela cama eu não tinha mais chão, colchão, almofadas ou edredons. Era só eu ali, nu, totalmente vulnerável aos seus carinhos, aos seus mínimos mimos e aos seus toques. Sabia que aquilo era tudo que eu evitei durante a vida, mas tinha consciência de que um dia ia chegar. Quando você me olhou de volta daquele jeito amor, eu juro que não esperava.

-

Você estava do lado de dentro e eu do lado de fora, eu sabia que não iria voltar, que tinha acabado ali. Encostei minhas costas na porta e fui escorregando até o chão numa posição quase fetal de uma mulher desesperada. Chorei não por mim, nem pela minha dor. Mas por você meu anjo. Sabia que estava deixando ali uma parte de mim, você reivindicou um pedaço do meu coração que sempre foi seu mas que parecia sem dono. Ali, em dois dias. Ali, em minutos. Eu sabia que aquilo era seu e de mais ninguém.

-

Tem umas coisas que eu prefiro não tentar entender. Tem coisas que são maiores do que nós. Tipo isso, agora. Não acredito que você foi embora mas também não vou me lamentar. Pra mim foi um sonho demorado, aqueles que você não quer acordar nunca mas eventualmente seu corpo te faz acordar e mesmo que você tente voltar ao mesmo sonho depois nunca é a mesma coisa. Eu estou acordando amor, ciente de que a minha vida tem outro significado agora que você passou por ela.

"I wanna be a billionaire"

Hoje eu ia ganhar na mega sena. Setenta milhões de reais. Não sou hipócrita, ajudar os necessitados era a minha ultima idéia do que fazer com esse monte de dinheiro. Pensei em roupas, em sonhos, em festas, bebidas e drogas.

Pensei em coberturas no Rio de Janeiro que eu nunca conheci. Pensei em comprar o amor, tão fácil, tão acessível com setenta milhões de reais na conta. Pensei na vida dos sonhos, em como meus amigos seriam mais felizes.

Pensei que viajar iria me fazer a pessoa mais satisfeita em todo o universo.

Hoje eu não ganhei na loteria, e meus sonhos continuam os mesmos, sem nenhum avanço em suas realizações. Minhas angústias e medos sempre ultrapassaram tudo que há de material nesse mundo. Essa semana me disseram que os cientistas não servem pra muita coisa, pois eles podem descobrir o porque de tudo, menos do que nos angustia. Nada nem ninguém vão decifrar essa interrogação que o meu cérebro é.

Sei que mesmo se um dia a carência passar e o amor da minha vida finalmente chegar, eu ainda não serei feliz. Sei que nunca vou chegar ao fim da corrida vitorioso porque me perderei no caminho. Os sorrisos e a felicidade instantânea vão me fazer desistir de ser feliz.

A verdade é que não existe dinheiro ou pessoa que acabem com a minha insônia. A verdade é que por mais que a gente sonhe, o verdadeiro amor não chega. Não aquele puro, que deita do seu lado e faz carinho na sua perna com a panturrilha. Não aquele que dá beijo na orelha e que te deseja com todos os seus medos e ilusões. Que agüenta seu estresse e que não se importa a hora que vai te beijar, mesmo que você esteja com mau hálito matinal.

Talvez alguém chegue perto, alguém se esforce pra te fazer feliz e eu espero que isso seja o suficiente. A verdade é que os poucos que você acha que seriam capazes disso não te amam, não te conhecem ou não existem. A verdade é que a pessoa ideal pra você é você, seu alterego perfeito e incondicional. Só nós somos capazes de nos amar mais do que a nós mesmos.