Cansada de brigar ela pegava a perna do namorado, que já estava deitado na cama só de cueca, e beijava seu tornozelo, subindo, subindo. Mordiscava o joelho e subia, pelas coxas, beijando até chegar na virilha onde ela parava. Ele tremia, adorava, mal se lembrava o porque estava estressado. Ela ficava, aquela pele salgada, sabia que ele gostava e subia mais um pouco, chegando no órgão sexual. Ali ela comandava, chupava com uma sede quase vampiresca aquele acúmulo de carne e sangue ereto. Esperava o gozo como uma criança que espera doce, e engolia pra tê-lo dentro dela.
Depois disso, um beijo. Ele não se importava com o gosto, afinal era dele e não de outro. Já não suspeitava mais do colega da faculdade, nem estava puto por ela ter ido de micro-shorts pra aula. Ele se esforçava pra não dar muito na cara o quanto gostava dela. Adorava joguinhos e deixar meias-palavras colocarem fogo no relacionamento. Sonhou tanto com aquele sentimento que se impressionava em realmente senti-lo. E não esperava que fosse por ela, que já passou tantas vezes batido por seu ‘radar’. Na verdade ele tinha medo de se entregar, atrasou o relacionamento por isso. Só percebeu que amava quando lhe gritaram no ouvido. Podia ser tarde, mas não foi.
Ela por outro lado morreu e viveu pra esse amor, largou seus preconceitos, seus tipos e sua obsessão por padrões que só estavam na cabeça dela. Chorava porque o príncipe não chegava, e quando chegou ela não acreditava que era ele. Aceitou calada o sentimento que gritava lá dentro, como um vírus que pedia pra sair e se espalhar. Não existia certo ou errado com ele, por isso um abraço era o suficiente pra saber que eles se amavam, mesmo que ele ainda não tivesse percebido. Ela bem no fundo era feliz, mas a sua personalidade não deixava isso transparecer, alguém tinha a chave que quebraria aquela armadura. Ela sabia que um dia alguém chegaria.
Ele, sorrindo, pediu que ela parasse de lamber sua orelha. Olhou nos olhos dela por um bom tempo e apreciou a visão, calado. Essa sintonia era algo fora do comum pra ele. Inclinou-se, deu um beijo em sua testa, desceu, deu um beijo na ponta do seu nariz, desceu, chegou à boca sem pressa dando breves selinhos naqueles lábios úmidos, um estalinho na ponta da boca, um beijo longo de duas línguas que já se conheciam muito bem. Dois sorrisos que se refletiam e se completavam. Duas pessoas completamente apaixonadas.