quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Amar não é fácil...

Amar não é fácil... Involuntário às vezes, de fato. Mas nunca fácil. Confundir o nosso ser trás um incômodo enorme, que muitas vezes é suprido quando o tal amado nos corresponde. Mas no geral mesmo, acaba sendo muito difícil pra quem ama conviver com esse sentimento.
Nós simplesmente perdemos quem somos, e tentamos chegar o mais próximo do que o outro quer que nós sejamos. Muitas vezes trancamos os nossos defeitos e tentamos ser o mais agradável possível. Não que isso faça alguma diferença, lógico (já que não se ama pela pessoa ser boazinha e sim pela personalidade diferente de cada um) mas nós sempre achamos que faz.
No entanto o ar mágico que cerca os amantes acaba aparecendo mais do que os conflitos internos de cada ser. Ninguém gosta de admitir que o seu amado tenha defeitos extremamente irritantes, mas ele tem. Ninguém gosta de admitir que mede cada palavra que fala para pessoa que ama, mesmo medindo. Ninguém gosta de admitir que a perfeição só esteja nos olhos, mas está.
Isso acaba nos fodendo mais tarde. Chega uma hora em que olhar para o seu amado não é mais o suficiente, mesmo que essa hora demore muito. Sempre chega a hora onde os defeitos cansam de se esconder e eles aparecem, do nada, quebrando tudo o que vêem pela frente. Tem uma hora que nós achamos que outro se acostumou com a gente, e que, a partir desse ponto, ele vai nos amar para sempre. Aí começamos a falar que não gostamos de seu corte de cabelo, que está na hora de depilar as axilas, que acha horrível o calo no seu dedo mindinho.
O relacionamento começa a ficar chato, porque ambos agora cansaram de serem ‘mimimis’ e foram ser eles mesmos, dar as suas opiniões e discutir sempre que acham que o outro está errado.
- Amor, vamos ao parque?
- Fazer o quê? Ta passando Fla x Flu, a gente vai outro dia.
Aí ela acha que ele não está mais nem aí, que cansou dela e que a está traindo.
- Que tal você colocar aquela lingerie vermelha hoje?
- Ai, bem, to morrendo de dor de cabeça, amanhã eu coloco.

Aí ele acha que ela se acomodou, que cansou do pau dele e resolve traí-la.
Acaba se tornando o ciclo vicioso. Ninguém contribui e ambos cobram. O negócio começa a desgastar cada vez mais, ela desconfia quando ele diz que vai pro sítio do colega da faculdade, ele quando ela vai fazer uma ‘noite das mulheres’. Aí o pior é que chegam a um estágio onde eles não brigam mais, fica só na desconfiança, nos olhares e nos ‘o que será que ele está fazendo agora?’. E então você olha pro outro e não sabe mais porque está com ele.
O tempo desse processo todo varia bastante de casal pra casal, uns demoram 15 anos, outros 3. Aí vem a separação e toda a merda de pensão e guarda dos filhos. Os dois tem que começar de novo, e entram para a estatística de ‘casais separados porém felizes’. Entrar pra estatística é foda.

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