Sabe, eu nunca pensei na vida como uma coisa bonita ou interessante, achava engraçado o fato das pessoas acreditarem em Deus, é impressionante a capacidade que o ser humano tem de fugir das escolhas da vida. "Se me dei mal, foi porque Deus quis", "Eu estou desempregado, mas se Deus quiser as coisas vão melhorar". Ridículos! Nunca acreditei em Deus e a mãe já brigou muito comigo por causa disso. Mas o pai não, ele sempre foi meu melhor amigo. Todos os dias de manhã ele colocava uma charada ao lado do meu Nescau, e se eu não desvendasse ele nao lia pra mim à noite. Ah, a propósito, meu nome é Oliver, tenho 10 anos e o meu pai diz que eu sou um gênio. Eu sou cheio de manias, dobro a embalagem das balas em forma de triângulo, como somente as cascas das maçãs, só digo bom dia se o dia estiver bom, leio livros do colegial e assisto Friend sem legenda mesmo não falando inglês, mastigo 7 vezes toda vez que como e sempre sonhei em tatuar as mãos. Quando falei pro pai que queria tatuar as mãos ele me deu um par de luvas brancas e até hoje eu nunca as tirei. O meu pai morreu e eu sinto falta dele. Já fazem 5 meses que ele me largou, e desde lá eu começei a perder as coisas. No dia que ele morreu eu perdi o sorriso, não consigo sorrir, já tentei mas simplesmente não dá. Depois perdi as horas, não me permito sabê-las. E a partir daí comei à perder tudo, o leite, as charadas, os óculos, a televisão, as canetas, o giz de ceira, a cama, a cadeira, as roupas coloridas, o telefone, o gel, os perfumes, os talheres. Comecei a perder algumas palavras, e depois alguns familiares, perdi as meias e os pijamas. Ontem eu perdi as minhas luvas, e hoje eu vou me perder.
p.s: Olha aí Mari, essa eu tirei 10, com o Walmir. o/
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Prova de Redação.
Postado por h.b às 11:22 4 comentários
Stss!
O medo de amar foi grande, e quando o amor chegou, nada mais fez sentido para ele. Ele desejou morrer, sorriu ao pensar na morte, achou que vento de vez o levaria. Houveram momentos onde nem o nome ele se lembrou, chorava até sonhando, sua alma estava em prantos. O amor de sua vida, tão longe, tão injusto. E ele que se achava tão forte, tão capacitado, foi pego de surpresa por amar a única pessoa que era impossível correspondê-lo. Os dias se passaram, a dor se intensificou, acordava angustiado, dormia todos os dias em luto. As luzes foram se apagando, uma a uma. Primeiro as dos postes, depois as dos bares, depois dos restaurantes, depois as das salas, depois as da cozinha e as do banheiro, as luzes do quarto se apagaram e só lhe restava a luminosidade de uma tela fria de computador. E de uma hora pra outra ela também se apagou. Era o fim da estrada, ele pensou. Era o final da história. Era ali onde tudo acabava.
Stss! Um fósforo se acendeu, e algo inacreditável realmente aconteceu. As luzes foram voltando de uma a uma, até o sol voltou a brilhar. Ele se assustou, e se perguntou aonde isso o ia levar, o porque de se sentir limpo e feliz. Olhou pro lado, e achou a resposta em sua ultima iluminação. Alguém tinha aparecido, algum amor proibido, algum desejo escondido. E ele voltou a pensar, mas lembrou-se do quanto sofreu e resolveu acordar. Apesar de algo estranho, e muito incomum, ele resolveu pensar se poderia ser verdade, se o coração o deixaria continuar. Consultou a alma e se espantou ao perceber que estava livre, e que assim queria permanecer. Agora só lhe faltava coragem, pra realmente fazer acontecer. Se abrir pro mundo, deixar a vida entrar.
Postado por h.b às 00:18 0 comentários
Novos sentidos.
Hoje a noite clareou sob os meus olhos
E nem deu tempo de apreciar o quão bonito foi esse amanhecer
Algo mais importante importunava os meus pensamentos
Algo que eu imaginei ser impossível acontecer
Só consegui pensar em como tudo sumiu
Me senti limpo, me senti feliz
Me senti como pensei que sentiria, logo que você partiu
Conheci um anjo, que me fez o que eu sempre quis
Roubou meus olhos, meus sentidos, me mostrou o que fazer
E hoje o sol nasce tão feliz, e nem isso eu posso contemplar
Pois meu anjo me ensinou a ser o que eu quiser ser
E não há mais tempo para gastar
Larguei a carne pela divindade
Troquei o sono pelo meu mundo
Sonhei contigo, e nem precisei acordar
Pois a dor passou em um mísero segundo.
Postado por h.b às 00:01 1 comentários
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Ressentimento.
Sei que é meio estranho, mas quero pedir desculpas ao meu blog. Não a quem de vez em quando passa aqui pra ver se tem texto novo, mas ao blog mesmo. Parei de postar nele, e nao de escrever. Fiz um 20 textos da minha ultima postagem até hoje, e gostei muito da maioria deles, só que nao tive saco pra postar. Acho que retomarei ele agora, então queria que as pessoas que lerem nao procurem uma continuidade, é como se eu tivesse omitido uma parte de mim. Lembrando também, como sempre, que muitas coisas que eu escrevo aqui são apenas da minha imginação, então não se preocupem.
Postado por h.b às 23:56 0 comentários